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Coisas do Deserto
 

PODER X FRAGILIDADE

Os tanques de guerra desfilam pelas ruas de Bagdá. Helicópteros sobrevoam o que mais parece uma selva de irracionais. Soldados desfilam com seus trajes de batalha e apontam rifles capazes de despedaçar seres humanos.

Eles estão prontos para guerrear. São fortes, destemidos e corajosos!

Combatem o inimigo e avançam contra os perigosos resistentes.

São ao mesmo tempo, odiados e admirados quando desfilam fantasiados de homens poderosos.

Mas, por trás de cada farda existe uma história.

Uma mãe que chora, um filho que espera, uma esposa que ora.

As fardas escondem o medo da morte, a saudade de casa, a sensação de incapacidade.

A farda esconde a fragilidade.

As vezes não se consegue sufocar as lágrimas...e eles choram diante do horror.

Nós os consolamos...Oramos juntos. Trocamos Olhares e Palavras de Fé.

Oramos dentro dos tanques de guerra, oramos no campo de batalha e abençoamos os corações fragilizados.

Infelizmente alguns cometeram suicídio.

Outros retornaram ao seu país como insanos.

Mas no Iraque ainda restaram os corajosos...

Os que estão na frente da batalha lutando e enfrentando o inimigo

Com toda coragem, com todo poder e fragilidade.

 

 



 Escrito por Nurah às 22h41 [] [envie esta mensagem]



O FIM DA FAMA!

Câmeras e luzes apagadas. Microfones desligados. Despedidas.

Uma breve matéria no Fantástico como anônimos trabalhando em Bagdá e Fim da Fama!

As câmeras foram desligadas e ninguém mais se lembraria de nós.

Estivemos em perigo. Estivemos vulneráveis. Sofremos com nossos próprios medos e ninguém mais se lembraria...

Fama? Ela havia acabado em 3 minutos. Mas será que algum dia ela havia existido?

Não. Ela nunca existiu!

Mas, tudo bem!!! Pois não foi a possibilidade de sair na TV que nos motivou a enfrentar um país em guerra, a correr riscos e perigos.

Não foi a fama!

Não foi a Paixão pelo futebol que nos levou para Bagdá. Não foi nada disso!!!

O que fez arder nosso coração e que nos fez ultrapassar as barreiras do medo, foi o amor.

Amor aos inocentes. Amor aos que não tem saída.

Amor aos que não têm esperança.

A fama...talvez tenha durado 3 minutos. O amor...ahhh...esse ainda arde no peito e grita dentro da minha alma que eu devo retornar ao Iraque e continuar o que comecei.

Esse amor me surpreende, me envolve, me constrange...



 Escrito por Nurah às 10h12 [] [envie esta mensagem]



01 MINUTO DE FAMA!!!

Jamais imaginei que um dia faria algo digno de "1 minuto de fama".

Não matei, não roubei e não tenho nenhum talento digno de virar notícia...mas virei!

Se existem "acasos", diria que ele se encarregou de promover um encontro entre nossa equipe e o Willian Wack (repórter da Rede Globo) em pleno centro de Bagdá...o resultado você lê abaixo ou assiste o vídeo se preferir.

 

PAIXÃO QUE CRUZA CONTINENTES

http://fantastico.globo.com/Fantastico/0,19125,TFA0-2142-5906-89760,00.html

Esgoto, sujeira, sofás e portas na calçada. Os próprios habitantes de Bagdá dizem que neste bairro mora o perigo. Lá moram principalmente sujeira e miséria. No meio da rua, as sobras do roubo e saque de prédios públicos logo que acabou a guerra.

É Sadr City, antiga Saddam City, lar de dois milhões de muçulmanos xiitas na periferia de Bagdá. Depois que Saddam se foi, quem manda são os líderes religiosos.Controlam rigorosamente a fé, os costumes -- mulheres, em público, rigorosamente separadas dos homens. Eles levaram de volta a Bagdá, por exemplo, o ritual de se auto flagelar, que as crianças imitam sem muito entusiasmo.

Em Sadr City, crianças voltam a rir com outro ritual: o da bola, ministrado por instrutores de uma Ong brasileira.
        
É quase incontrolável o entusiasmo pelas aulas de futebol, iniciadas dois meses depois que a guerra acabou. São muitas as diferenças entre o Brasil e o Iraque, o idioma é diferente, os costumes são diferentes, as religiões são diferentes, mas não foi difícil encontrar uma linguagem comum.

Em alguns casos, é notável o entendimento com a bola, depois de seis semanas de treino.

No encerramento do curso, os meninos disputaram um torneio, divididos em times com os nomes de vários países. A paixão pelo futebol brasileiro é quase uma veneração. Imagine o problema criado na hora de distribuir as camisas do time batizado de "Brasil",  os meninos só aceitaram jogar se fosse com a 9.

Obedecendo aos costumes locais, as mulheres brasileiras da Ong usam véu e cuidam de outras coisas, longe dos homens.

Na linha de fundo, um espectador ilustre: o Sheik Fadiz, o líder religioso e autoridade para todo assunto naquele pedaço de Sadr City. Ele diz querer mais brasileiros dando aula de futebol em Sadr City.

Fascinadas, as crianças mostram um brilho nos olhos que não se vê muito nas crianças de Bagdá. E agradecem de um jeito que, realmente, não precisa de palavras.



 Escrito por Nurah às 10h26 [] [envie esta mensagem]



OUÇO TIROS

Protegida por apenas quatro paredes de um quarto, ouço tiros.

Soldados, terroristas, criminosos? Não importa...ouço tiros!

Minha fragilidade diante das granadas e mísseis é assustadora.

Sinto minha vida por um fio e estremeço diante do poder das armas.

Mulheres choram seus mortos. Homens vingam seu sangue.

Órfãos andam pelas ruas e soldados ocupam caixões.

Ouço tiros.

Quem dera fossem fogos de artifício anunciando um novo ano,

Talvez os estridentes rojões de uma linda Noite de Natal!

Ao invés disso ouço tiros que ferem e matam pessoas.

Se ao menos eu tivesse asas para abrigá-los...

Ouço tiros.

Fecho os olhos e rezo em delírios de paz.

Seria a Paz uma Utopia?

Seria se eu não acreditasse no Deus do impossível,

o mesmo que atende pelo nome de PRÍNCIPE DA PAZ!

 



 Escrito por Nurah às 20h55 [] [envie esta mensagem]



POR TRÁS DOS ALTOS MUROS

 

Muros altos escondiam uma grande casa localizada bem no centro de Bagdá. 

Tudo parecia normal: casas, lojas, transeuntes...no entanto, algo fascinante me aguardava!

Eu ultrapassaria os muros e desvendaria mistérios profundos que marcariam para sempre minha vida.

Refletindo sobre isso pensei nos milhares de segredos que jamais descobriria. Pensei nas pessoas escondidas atrás dos seus altos muros, atrás de barreiras que eu sequer imaginaria transpor. Tantas feridas escondidas dos meus olhos...Quisera eu poder transpor todos os muros e prisões...salvaria alguns, com certeza, ao menos alguns!

Mas ainda haviam aqueles muros de Bagdá, que escondiam histórias extremamente diferentes das que eu imaginava.

Não se me refiro à um ilusório conto de fadas, mas à realidade nua e crua de homens que aprenderam a andar com Deus em meio as adversidades de um país dominado por um tirano.

Atrás daqueles altos muros havia um mistério...os muros escondiam uma Igreja Perseguida!!! 

Homens e Mulheres levando no corpo e na alma as marcas de Cristo!

Eles estavam lá...Atribulados, mas não angustiados. Perplexos, mas não desanimados. Perseguidos mas não desamparados. Cantando palavras de amor a Deus, Profetizando Paz, Destilando Fé e Coragem.

Felizes, vibrantes e vitoriosos eles me inspiravam...

Fui surpeendida por trás dos altos muros.

Vi e convivi com iraquianos que não eram meros sobreviventes, mas cristãos vencedores...multiplicadores de esperança!

Hoje os muros já não os pode mais conter. Os portões se abriram e os poucos cristãos se transformaram em muitos!

Não estão totalmente livres do sofrimento e da dor, pois o terrorismo, a guerra e a perseguição ainda são uma triste realidade no Iraque...mas eles estão fortes e estão juntos.

Aqui, por trás dos meus altos muros você me encontrará menos covarde, menos crítica e muito...muito mais disposta a entregar a cada dia minha vida a serviço do Mestre.

Eu aprendi a ser melhor...por trás dos altos muros.

 

 



 Escrito por Nurah às 02h55 [] [envie esta mensagem]



COM O DEDO NA GARGANTA

Eu queria que minha poesia se transformasse em pão

Para alimentar a todos que têm fome

Eu queria que minha poesia se transformasse em cobertor

Para agasalhar a todos que sentem frio

Eu queria que minha poesia se transformasse em casa

Para abrigar a todos que padecem ao relento

Eu queria que minha poesia se transformasse em coragem

Para libertar todos os aprisionados pelo medo

Eu queria que minha poesia se transformasse em afago

Para todos que buscam um pouco de afeto

Eu queria que ela fosse algo real, palpável, degustável, concreto...

Algo mais do que metáforas e rimas, maior do que palavras...

Mas o que a poesia poderia fazer para o trabalhador exausto?

Ou para a mãe que chora a morte de um filho?

Para quem espera em filas, para quem aguarda vagas

Para quem dorme debaixo de viadutos, para quem não dorme

Para quem se alimenta de lixo, para quem é jogado no lixo

Para quem não tem para onde ir, para quem não tem porque continuar

Para tantos outros que são diariamente roubados, violentados, esquecidos?...

Se um poema não enche barriga, não aumenta salários

Se um poema não ameniza calos, não acaba com a tortura

Não retira câncer, não cessa o terror, não traz qualquer cura?...

 Quem me dera acreditar que minha poesia alivia alguma dor

Quem me dera derrubar cercas e muros com um riso

Quem me dera fechar todas as feridas com meu toque

Fazer de cada verso um barco, de toda rima um porto

Transformando palavras em plumas, das plumas leito

Onde alheios sonhos descansariam até se tornarem realidades...

(Geraldo Ramiere)

 

 



 Escrito por Nurah às 00h58 [] [envie esta mensagem]



MINHA PRISÃO NO IRAQUE!

Os estrangeiros estão na lista negra dos terroristas. A ONU já foi bombardeada duas vezes e muitos soldados estão sendo atacados. Há perigo nas ruas, nas casas e no ar. Tem cheiro de morte pelos quatro cantos do Iraque...o que me prende aqui?

Minha família está apavorada no Brasil e nem meus breves telefonemas são capazes de acalmá-los. A TV mostra as atrocidades e com nossos olhos vemos a guerra que não acabou. Ouvimos os tiros, as sirenes, os alaridos...o que me prende aqui?

Olhos curiosos, sorrisos tímidos e vidas sem esperança. Órfãos, víuvas, feridos e arruinados. O que me prende aqui?

Calor insuportável, poeira e bombas, muitas bombas...Meu Deus, o que me prende aqui??!!

Só uma coisa podia me dar alento nessa hora de incerteza...fechei os meus olhos e busquei na memória algo que pudesse me dar esperanças. Folheava vagamente uma Bíblia quando um verso saltou com vida diante dos meus olhos: "Não morrerei, mas viverei e contarei as obras do Senhor".

Era isso! O que me prendia ali era única e simplesmente a possibilidade de poder dizer aos meus amigos iraquianos: "existe uma saída de paz para seu povo...existe uma esperança Naquele que tudo pode"

Deus me fez sentir de maneira profunda e intensa que eu permaneceria em Paz e sairia daquele país com vida.

O amor de Deus me prendia ali.

SEM AMOR

 

A inteligência sem amor, te faz perverso.

A justiça sem amor, te faz implacável.

A diplomacia sem amor, te faz hipócrita.

O êxito sem amor, te faz arrogante.

A riqueza sem amor, te faz avaro.

A docilidade sem amor, te faz servil.

A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.

A beleza sem amor, te faz ridículo.

A autoridade sem amor, te faz tirano.

O trabalho sem amor, te faz escravo.

A simplicidade sem amor, te deprecia.

A oração sem amor, te faz introvertido.

A lei sem amor, te escraviza.

A política sem amor, te deixa egoísta.

A fé sem amor, te deixa fanático.

A vida sem amor... não tem sentido.

 

 



 Escrito por Nurah às 13h17 [] [envie esta mensagem]



NEGROS VÉUS

O calor intenso agora é o grande vilão do Iraque. Ele nos desafia e nos desgasta. Meu marido prefere dormir ao ar livre em companhia das estrelas e dos helicópteros americanos. Eu luto com as saias longas e as camisas de manga comprida que preciso usar ao sair as ruas. Tudo é diferente e extremamente opressor e o "código de conduta" para as mulheres é extremamaente rígido e sem sentido. Algumas andam pelas ruas com suas "abaias" negras enfrentando temperaturas superiores a 40graus me fazendo pensar no quanto isso é insano. Porque oprimi-las assim? Porque escondê-las e escravizá-las a esse ponto? O que será que há por trás daqueles negros véus? Quem me dera desvendar esse mistério...

UMA ALMA SOLITÁRIA

Lágrimas obscuras escorrem por trás dos negros véus
Pensava existir amigos mas percebo que sou apenas uma alma solitária em busca de compreensão.
Meu corpo apodrece por dentro...vc pode sentir?
Minha morte se aproxima
Anseio por esse dia para que meu último grito desabafe todo esse nefasto sofrimento que me persegue a toda vida
Anjos caem ao meu redor, nem eles podem suportar a escuridão dessa profunda tristeza.
Todo meu sentimento se transformou em puro ódio
Ódio que alimenta minha dor
E meu vazio é preenchido com tristeza
Não há quem possa me consolar
Pensava haver amigos mas percebo que sou apenas uma alma solitária em busca de vida
O tenebroso mar de solidão me envolve, me cerca e me acaricia...mas sei que ele quer me trair...ele quer me afogar Não consigo evitar
Não há quem me salve
O sangue que me banha
São as lágrimas das estrelas que ja não iluminam minha noite
Pensava haver amigos,mas percebo que sou apenas um alma solitaria em busca da morte!!



 Escrito por Nurah às 14h08 [] [envie esta mensagem]



IRAQUIANOS OU MARCIANOS???

Sem armas, sem gritos e sem ameaças. Rostos sem ódio e sem desejo de vingança.

Ao som de palavras suaves e amáveis íamos nos acomodando naquela imensa sala abafada em Bagdá.

Parecia não haver guerra e nem som de tiros. Não havia dor e nem lágrimas perdidas. A atmosfera era de  muita tranquilidade. Seriam eles iraquianos? Talvez marcianos...

Devia haver alguma coisa errada pois a TV me mostrava rostos irados e gritos insanos de homens violentos e sanguinários. Os iraquianos não eram todos perigosos terroristas prontos a matar friamente qualquer um que se aproximasse?

Quem disse isso mentiu. Nossos anfitriões não eram marcianos. Eram seres humanos como nós, com os mesmos sonhos, desejos e medos. Um tanto mais fortes por conseguirem enfrentar tantos anos de repressão...um tanto mais sofridos em virtude das  perseguições sofridas por terem escolhido uma fé diferente daquela professada pela maioria no país. Mas na essência éramos todos iguais.

Naquela grande sala que outrora alguns poucos cristãos árabes se reuniam secretamente para louvar a Deus, encontrávamos todos nós de mãos dadas: iraquianos, brasileiros, koreanos e egípcios unidos em um só propósito, orando por uma mesma causa...

As lágrimas que derramamos naquela tarde eram de agradecimento, de esperança e de fé.

Nunca mais iríamos chorar de tristeza naquela nação. Tínhamos realmente esperança de Paz.

Me senti a mulher mais privilegiada do mundo por estar ali simplesmente para olhar nos olhos das pessoas e dizer: estamos juntos para o que der e vier...e muitas coisas ainda estavam por vir...

 

Acredito que não exista nada mais sincero que "caminhar de mãos dadas",

Seja no sentido lato da palavra ou no sentido figurado.

   

 



 Escrito por Nurah às 02h17 [] [envie esta mensagem]



TERAPIA DO BANHEIRO!

Por um lapso de segundo me sentia nobre e altruísta. Ter deixado o Brasil, família, amigos e estar em pleno "Iraque Ocupado" era sem dúvida nenhuma algo que me engrandecia e me tornava uma pessoa melhor. Já começava a caminhar com o corpo ereto e a cabeça erguida...o ego um tanto inflado talvez...durou pouco.

Como todos os mortais -tanto príncipes como plebeus- chegou a hora de usar o banheiro. Ele estava ali: uma simples portinha ao lado da escada me esperando silenciosamente. Sem problemas me dirigi para lá e senti que aquele pequeno cômodo começava a rir de mim.

Onde estaria o vaso sanitário? O que significava aquele simples buraco no chão??? NÃO!!!! ERA DEMAIS PRA MIM!

Eu estava me sentindo tão especial há alguns segundos atrás...e agora, sentia que aquele mísero banheirinho sem vaso sanitário zombava de mim.

Eu queria gritar...choraminguei no ombro cansado de meu marido que simplista como todos os homens só respondeu: Use-o!

E eu usei.

Humildemente...e muito contrariada, Usei.

No fim, agradeci. Afinal aquele simples banheirinho conseguiu me convencer que não sou melhor que ninguém.

 

HUMILDADE

Humildade é o silencio perpétuo do coração
É estar sem problemas
É nunca estar descontente, contrariado, irritado ou ofendido;
Não me surpreender com qualquer coisa
feita por mim, mas sentir que nada é feito contra mim
Significa, quando eu for repreendido ou desprezado
Que eu tenha um lar abençoado dentro de mim
Onde eu possa entrar, fechar a porta, ajoelhar-me frente a meu Pai, em segredo
E estar em paz como num mar profundo de calmaria.
Quando tudo ao meu redor está aparentemente agitado

(Poema d Dr. Bob, co-fundador do Alcoólicos Anônimos)

 


 



 Escrito por Nurah às 01h53 [] [envie esta mensagem]



BOAS VINDAS ASSUSTADORAS

Fomos recebidos em Bagdá por um simpático iraquiano chamado Nagib. Porém seu discurso de "Boas Vindas" incluia uma série de restrições como não sair de casa sem a companhia de um iraquiano, não retornar depois das 20:30h e se proteger sempre pois a falta de segurança nas ruas aumentava a violência. Assaltos, assassinatos, crimes de vingança e uma série de barbaridades estavam ocorrendo no país naquele momento. Sem contar tudo isso, ainda tínhamos que nos proteger dos terroristas que estavam numa campanha "bombástica" para expulsar todos os estrangeiros do Iraque.

Confesso que gostaria que esse discurso viesse em notas musicais mais suaves...porém, apesar dos riscos e perigos, meu coração se encontrava em perfeita Paz naquele momento. Meus acordes tocavam uma sinfonia de esperança.

Tudo parecia perfeito, até eu começar a me desesperar...



 Escrito por Nurah às 01h38 [] [envie esta mensagem]



PAZ

Paz não se faz com dor, lágrimas ou sangue.

Paz se faz com AMOR.

 

 

 



 Escrito por Nurah às 00h06 [] [envie esta mensagem]



PRIMEIRO DIA NO IRAQUE OCUPADO

Coração acelerado e olhos atentos! Calor insuportável, poeira e deserto. Ainda haviam mais 551km de deserto até chegar em Bagdá. A primeira cena que vi foi um iraquiano deitado no chão com as mãos na cabeça rodeado por soldados fortemente armados. Helicópteros, tanques de guerra, soldados...muitos deles e os estragos causados pelos mísseis. Prédios e casas destruídas e o povo iraquiano circulando pelas ruas como se estivessem alheios a tudo isso. Meu coração batia mais forte. Eu havia conseguido chegar...Foram 5 dias viajando pelo ar, mar e terra, e finalmente eu havia conseguido chegar!



 Escrito por Nurah às 22h33 [] [envie esta mensagem]



TENTANDO CHEGAR NO IRAQUE...

MAR VERMELHO

 

 

Um azul marinho indiscritível...montanhas ao longe e uma brisa suave no rosto...estávamos finalmente atravessando o mar vermelho. Do navio podiamos ver Israel (El Late) e a Arábia Saudita. Lembramos da história do povo de Israel e rimos ao ver que o líder da nossa equipe também se chamava Moisés: atravessamos o Mar vermelho a pés enxutos guiados por Moisés... realmente surpreendente!

Porém estávamos desde as 23h da noite anterior na estrada. Dezesseis pessoas exaustas, preocupadas com suas malas que juntas somavam mais de 50 e que estavam literalmente jogadas na parte inferior do navio sem nenhum controle. Contando a velocidade do nosso navio (era o mais barato, portanto o mais lento) e toda a burocracia para o desembarque, só chegamos do outro lado a noitinha, pra ser mais exata, as 20:40h!. Todos exaustos e necessitando urgentemente de um banho.

JORDÂNIA

Dezesseis estrangeiros famintos e imundos, sentados na calçada e rodeados de malas esperando uma alma caridosa que cobrasse um preço justo para nos levar até o local onde definitivamente pegaríamos as Vans para chegar ao Iraque. Já estávamos na cidade de Aqaba na Jordânia e tínhamos que chegar na capital do pa´si em Aman onde nos juntáríamos ao restante da equipe que nos aguardava. Passamos a noite viajando em um ônibus muito velho e extremamente desconfortável. Chegamos ao amanhecer e tivemos tempo apenas de comer uma macarronada (as 5h da manha), colocar todas as malas nas vans e partir rumo ao nosso destino final...foi uma viagem tranquila e apesar de cansativa, mas para nossa alegria, cruzamos a fronteira Jordânia/Iraque  no dia 29 de agosto com a certeza de que grandes surpresas nos aguardariam ali.

 

 

 



 Escrito por Nurah às 01h28 [] [envie esta mensagem]