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Meus textos foram censurados!
Disseram que não falo de flores, só falo de guerras.
Cristãos me censuraram dizendo que meus textos não "exaltam a Deus".
Fui censurada por ser leal aos meus sentimentos e dizer o que sinto e a maneira que sinto.
Fui censurada por expor aqui minhas frustrações, minhas dúvidas e minha pequena fé.
Tão mais fácil seria inventar uma "heroína em terras desérticas". Então eu seria uma mulher forte, destemida e poderosa! Não cometeria erros e não ficaria cansada. Em nenhum momento sentiria medo ou vontade de desistir. Seria um exemplo de determinação e um referencial para a humanidade!
Seria tão mais fácil mentir...mas me censuram por dizer a verdade...
Me censuram porque exponho minhas dificuldades e minhas fraquezas.
Me censuram porque não sou "um modelo padrão".
Sugeriram que eu mudasse o conteúdo dos meus textos...Que ingênua censura!
Não acredito que tenha que escrever mil vezes por dia "Olha, Jesus Te ama"!...Não...eu preciso viver esse amor!
Mas talvez quem me censure já não saiba mais ler com a alma. Os olhos ficaram embaçados demais para contemplar Deus presente em todas as linhas da minha história.
Quem me censura não percebe que quando falo de decepções e fracassos, reconheço o quanto preciso de Deus. Quando me encontro acorrentada em dores, é Ele quem arrebenta os meus grilhões...
A censura se esquece que quando minha fé fracassa e minha carne cede à tentação, Ele não me lança fora da sua presença, mas me acolhe e me perdoa...e posso começar tudo de novo.
Deus sempre esteve presente...em todas as linhas e entrelinhas.
Ele não apenas faz parte da minha história, Ele é toda minha vida! Não uma vida perfeita e sem rasuras, mas gostem os críticos ou não, aqui não tem censura!
Escrito por Nurah às 18h19
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OÁSIS

Hoje os iraquianos recuperaram a soberania do Iraque.
Receberam de volta o seu país, que voltou manchado de sangue e cheio de luto, trazendo as marcas da dureza dos tiranos, da intolerância dos fanáticos e da opressão dos poderosos.
Vejo o Iraque como uma mulher solitária, vagando pelo deserto árido com seus filhos a chorar de fome.
Ela caminha também chorando por causa das feridas da jornada, nenhuma ainda cicatrizada.
Ela anda e sangra abrigando seus filhos no calor de seus braços.
Ninguém a consola, ninguém a compreende, ninguém a ajuda...
Mas ela segue em busca do seu destino, vagando no deserto vazio a procura de um pouco de paz...
Iraque, terra que aprendi a amar...
Que Deus plante em seu deserto de horrores, um oásis de delícias.
Escrito por Nurah às 23h36
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MILAGRE NA CRUZ VERMELHA
Vendo pela TV tudo o que acontecia no Iraque, imaginei que chegaria em um país totalmente devastado pela guerra, permeado de doentes e feridos.
Meu desejo de ajudar as pessoas era tão forte que não pensei duas vezes: decidi fazer um curso de Primeiros Socorros na Cruz Vermelha. Além de me capacitar para servir um país em guerra, a Cruz Vermelha me daria toda proteção e respaldo caso a situação do Iraque piorasse ainda mais. Era perfeito!
Marcamos um curso em São Paulo e devido a urgência da viagem, os monitores se comprometeram a dar o treinamento básico somente para nossa equipe. No dia marcado, a surpresa: "esquecemos de comparecer"!Simplesmente não fomos ao curso, e pasmem: os monitores também não apareceram! A situação era imperdoável!
Chegando em Bagdá conheci o prédio da Cruz Vermelha. Lamentei não fazer parte daquele grupo estruturado, que servia a nação com remédios, alimentos e socorro de emergência. Eu queria muito estar entre eles!
Na manhã de uma segunda feira o mundo parou para mais uma vez assistir o terror em ação: uma ambulância-bomba se atirou ao prédio da Cruz Vermelha Internacional em Bagdá e mais 4 veículos-bomba explodiram algumas delegacias. O total: 34 mortos e 224 feridos naquele dia.
Explodiram a Cruz Vermelha! Explodiram o local em que eu planejava trabalhar!
Uma sensação estranha me invadia...Eu estava viva!
Vendo a nuvem negra de fumaça que cobria o céu, as ambulâncias com suas sirenes ligadas e os helicópteros que se aproximavam rapidamente, fiquei em silêncio.
Meu coração acelerado e minha alma estremecida agradecia pelo dom da vida. Eu viveria um pouco mais...
Poderia ainda sonhar, fazer planos e celebrar a vida!
Eu escolhi seguir vivendo assim: inteiramente nos braços do Pai...E hoje, quando tudo fica difícil demais pra mim, e não encontro forças pra caminhar, minha alma se aquieta e adormece, pois encontra sempre um abrigo de Paz ali...

Escrito por Nurah às 01h13
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SEM HIPOCRISIA
"Decidi não sofrer agora" foi um texto que amei escrever. Ele me fez refletir sobre coisas importantes e trouxe um resultado positivo na vida dos que leram.
Porém eu não posso mentir para meu blog. Deixar de registrar o que estou sentindo hoje, o transforma numa fraude!
Por isso, vim aqui confessar de cara limpa, sem hipocrisia, que às vezes não consigo dominar meus sentimentos.
Não sofrer, muitas vezes não depende da minha decisão. Eu posso até não me entregar, não parar de caminhar e não morrer de tristeza...mas como não sofrer? Em alguns momentos isso se torna quase impossível...
Sem dúvidas que tento "decidir não sofrer agora", mas diante de determinadas situações, minha decisão se perde na minha dor, e eu apenas sofro.
Confesso que estou sofrendo agora. Meu marido também.
A filha de um grande amigo está com câncer no cérebro. Eles são missionários em Portugal, e retornaram hoje com Hadassa em uma cadeira de rodas. Ela tem sete anos e o tumor já paralisou seu lado esquerdo e com a metástase, ele se alojou também na coluna.
Lembro de meu sogro lutando contra um câncer no fígado. Ele enfrentou a dor sem perder a doçura, mas não foi fácil manter a fé diante de tudo que vivemos ao lado dele.
Nessas horas eu queria acreditar no impossível. Queria ter palavras de fortaleza, de vitória, queria decidir não sofrer, mas meu coração não me obedece...
Hoje eu vim me desculpar com você...eu não consigo "não sofrer agora"...

Escrito por Nurah às 11h01
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DECIDI NÃO SOFRER AGORA
Quando nasci, chorei pelo leite da minha mãe e senti falta de seu vente seguro.
Não demorou muito e senti falta de uma boneca grande, daquelas que se parecem com um bebê de verdade. Nunca quis a Barbie, eu nem sabia ao certo o que fazer com aquela magrela.
Na adolescência, senti falta de ser linda, de ter os cabelos da Perla e a voz da Nikka Costa. Eu cantarolava "Out Here On My Own " enquanto sofria de amor por todos os integrantes do Menudo.
Perdi algumas festas por estar de castigo, fui vaiada num jogo de voleibol e me embolei numa "dança de fitas" formando milhões de nós cegos ao som das risadas de uma platéia histérica do antigo "ginasial".
Caramba...como eu sofri!
De repente, num piscar de olhos a gente cresce, e numa segunda feira qualquer, trás à memória tudo o que ficou pra trás. A gente simplesmente volta ao passado e ri.
Olhando aqui do futuro tudo parece tão engraçado e simples!
Complicado é viver o agora, porque o tempo passa, mas a gente ainda continua sentindo falta das coisas. Sente falta de um pouquinho mais de dinheiro, um pouquinho mais de beleza, um pouquinho mais disso, um pouquinho mais daquilo...
Penso que vai chegar um dia, aonde esse meu "agora" vai ser apenas uma leve lembrança, e então, poderei olhar atrás e sorrir do quanto sofri á toa.
Nesse exato momento eu deveria estar sofrendo porque cancelei minha TV a cabo, porque tive que dispensar a faxineira e porque não viajarei no fim da semana.
D-E-V-E-R-I-A estar sofrendo, mas decidi sorrir.
Tenho amigos que não sabem se vão acordar vivos amanhã. O futuro de seus filhos é obscuro e apesar de não terem nenhuma perspectiva eles estão sorrindo.
Se uma bomba explodir "agora" no Iraque, eles não têm como se proteger. Se eles estiverem no lugar errado, na hora errada, podem virar alvo de algum ataque suicida e não há nada que eles possam fazer a respeito.
Todos os dias eles saem ás ruas e tentam dar um ar de normalidade ao caos. Eles amam seus filhos, abraçam seus amigos e comemoram suas pequenas vitórias. Apesar das feridas, eles não estão brutalizados, mas continuam profundamente amáveis e sorrindo agora.
Enquanto vivi no Iraque fui apenas aprendiz.
Hoje, quando olho para o sorriso iraquiano, decido sorrir também e não sofrer agora!

Escrito por Nurah às 19h07
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O MEDO ACABOU!
Éramos apenas uma turma de doidos trabalhando no Iraque.
Uma escolinha de futebol em uma favela xiita extremamente perigosa, viagens por todo país para colher informações da situação real do povo, cursos de capacitação para os universitários e muito tempo livre, uma vez que não podíamos sair á noite por causa dos constantes assaltos, assassinatos e ataques a estrangeiros.
Apesar dos conflitos, tínhamos que sair durante o dia para atender nossos compromissos, afinal estávamos no Iraque pra isso. Fazíamos como todo povo iraquiano: íamos á luta (no bom sentido). A vida tinha que continuar.
Nesse meio tempo, encontramos em Bagdá o repórter da Rede Globo, Willian Wack, que fazia uma matéria sobre a guerra. Um dos nossos amigos, Fernando, foi entrevistado, e respondendo a uma pergunta do Willian sobre nossa permanência no Iraque, soltou essa preciosidade: O medo? Não existe medo. O medo acabou!
Na hora eu até concordei com o Fernando, mas não demorou muito pra sentir na pele que o medo estava lá: mais vivo do que nunca, e o pior: ele estava presente em toda equipe!
Parados próximos a Tikrit, terra onde nasceu Saddam Hussein, ouvimos a explosão de uma bomba. Dessa vez não estávamos dentro de casa, mas parados com um ônibus alugado numa estrada desconhecida.
Os tiros que se seguiram me deixaram em pânico. Eu estava dentro de um barzinho e havia acabado de usar o banheiro. Tive a impressão que os tiros vinham em minha direção. Imaginei que haviam vários homens correndo com metralhadoras em direção ao banheiro, e não tive dúvidas, me protegi da melhor maneira que pude: atrás da "porta" do banheiro, uma cortininha de tecido colorido...(mais tarde concluí que na hora do medo a gente perde a noção do ridículo!).
Fernando, que havia ficado fora do ônibus começou a gritar alucinado quando percebeu que o motorista, assustadíssimo com a situação colocava o veículo em movimento nos deixando para trás.
Meu marido gritava pra que eu saísse de dentro do banheiro e mesmo me achando extremamente protegida atrás da cortina, saí de lá correndo, tapando os ouvidos e encolhendo os ombros...não lembro se tive coragem de ficar com os olhos totalmente abertos.
Já dentro do ônibus, descobri que logo após a explosão da bomba, os telhados das casas revelaram dezenas de soldados americanos estrategicamente escondidos. Eles saíram atirando pra todos os lados e chegaram a ficar com alguns amigos nossos sob a mira. Fernando foi um dos que ficou "cara a cara" com a metralhadora. Ele lembra que a única coisa que conseguiu fazer no momento do tiroteio, foi ficar paralisado.
Hoje quando reencontro o Fernando, ou quando nos falamos por telefone, sempre pergunto:
_ Fernando, e o medo? (ao qual ele responde rindo):
_ O medo? Não existe medo. O medo acabou!!!
Brincadeiras à parte...no fundo, com medo ou sem medo, só posso dizer que valeu muito à pena estar lá!

Vejo o Fernando brincando com esse menino iraquiano e lembro que para conseguir chegar até o Iraque ele teve que vender seu carro pra pagar as passagens...Minha família tem orgulho de ter um amigo assim!
Escrito por Nurah às 19h05
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PREFIRO AS QUARTAS FEIRAS!
Que bobagem falar que é nas grandes ocasiões que se conhece os amigos!
Nas grandes ocasiões é que não faltam amigos. Principalmente neste Brasil de coração mole e escorrendo.
E a compaixão, a piedade, a pena se confundem com amizade.
Por isso tenho horror das grandes ocasiões. Prefiro as quartas-feiras.
(Mário de Andrade)

Escrito por Nurah às 10h57
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Ah, Se Você Lesse Minhas Linhas...
Escrevo o amor. Transcrevo meus sonhos e escancaro minha alma.
Vou vivendo cada momento com a magnitude da singularidade.
Penso que tudo é a primeira vez e que nunca alguém jamais sentiu o que sinto.
Parece que minha dor é a maior. Meu amor o mais bonito.
Quando escrevo quero que você se transporte para os meus momentos e sinta como foram maravilhosos!
Mas muitas vezes você nem lê as minhas linhas.
Você simplesmente deleta, exclui ou apaga.
Um clique e você nunca saberá o que houve.
Tudo vai parar na lixeira, como se não tivesse valor algum.
Se nessas linhas eu pudesse transcrever os sorrisos que encontrei no deserto,
as amizades que fiz entre os escombros...
Eu te mandaria agora o calor das mãos que segurei, a força da fé que vi nascer,
a dor da saudade que vivi.
E você nunca mais deletaria minhas palavras nem apagaria meus poemas.
Se eu conseguisse te fazer entender o amor que impulsiona os homens
a seguir a Cruz, você não só leria meus escritos...
Mas se tornaria parte da minha história.

Escrito por Nurah às 22h12
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RESPEITE SEU AMIGO ÁRABE...NÃO O CHAME DE TURCO!
Por volta do ano 1300 o Oriente Médio foi invadido por conquistadores impiedosos denominados turcomanos. Eles fundaram o Império Otomano que além incentivar os choques entre os diferentes grupos étnicos e religiosos, ainda provocavam constantes revoltas devido á incapacidade administrativa e exploração fiscal. Diante desse quadro, muitos sírios e libaneses fugiram para não servir o exército turco. Portanto, a imigração dos árabes em geral e dos sírios e libaneses ortodoxos em particular, aconteceu por motivo de perseguições do Império Otomano (turco) contra os cristãos em 1860, ano de trágicos acontecimentos. Como nos documentos dos imigrantes árabes anotava-se a nacionalidade turca, (nacionalidade do opressor), ao chegarem ao Brasil, os árabes começaram a ser chamados de "turcos", o que para eles era uma grande ofensa. Os turcos, neste caso, eram todos os integrantes do "extinto" Império Otomano, e não os turcos da atual Turquia. Aliás, é bom que se esclareça que os turcos não são árabes.
Seja como seu País: Sempre Acolhedor, Belo e Singular.
RESPEITE OS IMIGRANTES

Escrito por Nurah às 21h27
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ENTERRADA VIVA

(...) No momento em que uma menina nasce em terras árabes, os pais imediatamente começam a pensar em um casamento apropriado. Munira chegara aos 21 anos solteira, seu pai sentia um penoso desconforto com a situação. Ela era bonita, se bem que muito frágil, e parecia muito mais nova do que de fato era. Sempre havia sido obediente, e sua timidez despertava simpatia e afeição. Cinco anos atrás, quando estava com dezesseis anos, Munira disse à mãe que queria permanecer solteira. E assim, ao contrário da maioria das meninas sauditas, Munira estudou para ser assistente social com a intenção de se dedicar a ajudar as pessoas deficientes e incapacitadas que são tão menosprezadas na Arábia Saudita.
(...) Hadi, (o noivo) era a crueldade personificada. Ele odiava as mulheres com um ardor vingativo e vivia apregoando que as jovens deveriam se casar assim que surgisse a primeira menstruação. Na cabeça dele, as mulheres estão no mundo apenas para três coisas: dar prazer sexual aos homens, servir aos homens e dar filhos aos homens. Apesar do ódio que tinha pelo gênero feminino, Hadi se empenhava em fazer sexo com o maior número possível de mulheres diferentes. A viagem ao Cairo e à Itália demonstrou isso. Quando estávamos no Cairo, minha irmã Sara e eu, sem querer, surpreendemos Hadi estuprando uma menina de 8 anos! Foi uma cena de tanto horror e violência que nenhuma de nós duas nunca mais conseguiu apagar da memória as terríveis imagens daquele dia.
(...) Quem imaginaria que por debaixo daquela aparência suave havia a alma de um bruto? Um amargo pensamento me passou pela cabeça. Nossas moças são obrigadas a sacrificar a juventude a homens como Hadi, que se nutrem da beleza delas! É devorando esposas quase meninas que esses homens se mantêm fortes! Fui obrigada a engolir minhas lágrimas.
(...) Hadi se juntou a Munira na plataforma nupcial, muito orgulhoso de si mesmo. Sorri amargamente ao ouvir minhas primas elogiarem admiradas, a beleza e a riqueza do recém-casado. Uma prece silenciosa emergiu da minha alma. Oh, meu Deus, tenha piedade das mulheres sauditas. E depressa!
ENTERRADA VIVA (poema escrito por Munira após o casamento)
Eu vivi e sei como é sorrir
Eu vivi a vida de uma menina cheia de esperança
Eu vivi a vida de uma menina que sentiu o calor de se tornar mulher
Eu vivi a sensação de ansiar pelo amor de um bom homem
Eu vivi a vida de uma mulher cuja esperança foi destruída
Eu vivi a vida de alguém cujos sonhos foram desfeitos
Eu vivi conhecendo um tremendo medo de todos os homens
Eu vivi através dos medos criados pelo espectro de um casamento ruim
Eu vivi para ver o diabo disfarçado de homem comandando cada uma de minhas ações
Eu vivi como uma mendiga, implorando para esse homem que me deixasse em paz
Eu vivi para testemunhar meu marido ter o prazer de ser um homem
Eu vivi para ser violentada pelo homem a quem fui entregue
Eu vivi apenas para suportar estupros a cada noite
Eu vivi para ser enterrada enquanto ainda estava viva
Eu vivi para imaginar por que aqueles que dizem me amar ajudaram a me enterrar
Eu vivi todas estas coisas e ainda não tenho vinte e cinco anos de idade...
(Trechos do livro: "Princesa Sultana - Sua Vida, Sua Luta" - Jean P. Sasson - Ed. Best Seller)
Escrito por Nurah às 19h39
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Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita.
Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi.
(Mário de Andrade)

Escrito por Nurah às 12h41
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MUNIR
Alto, forte e sorridente, Munir se aproximou para encher meu coração de alegria! Ao som de bombas, tiros e sirenes na agitada Bagdá, o discurso daquele grande homem árabe soou como música suave aos meus ouvidos:
"- Obrigado por vocês estarem aqui. Obrigado por virem ao Iraque!
Quando eu estava no exército, haviam soldados especializados em detectar e desativar bombas de campos minados. Eles iam à frente do batalhão limpando o caminho e formando uma estrada segura ao longo de toda extensão do campo. Livres de bombas, o restante da tropa seguia seu caminho em plena Paz.
Hoje vejo vocês como esses "soldados especializados", abrindo um caminho seguro para que outros venham.Obrigado por estarem aqui!
O Iraque é como um elevador de portas abertas. Vocês precisam entrar apressadamente antes que alguém aperte algum botão e as portas se fechem.
Aproveitem as portas abertas, acreditando que é Deus quem está por trás de tudo isso. Criem pontes, abram caminhos seguros e permitam que outros mais sigam pela estrada que vocês abriram para abençoar essa nação"
...
Após esse marcante discurso Munir se foi, me deixando cheia de sonhos. Sonhos de paz, de reconstrução e de liberdade!
Obrigada, Munir.

Escrito por Nurah às 00h24
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LOUCURAS DE AMOR
O Amor é paciente. Tudo espera, tudo sofre, tudo suporta.
Quando as circunstâncias nos atemorizam, o amor permanece forte.
O coração desanima e se frustra, mas o amor brilha como o sol ao meio dia.
Viajei para o Iraque disposta á tudo por amor. Apesar do risco que essa missão envolvia, o amor que me impulsionava era mais forte!
O amor me fez resistente pra enfrentar o calor do deserto e o perigo da guerra.
Estar no Iraque era uma loucura de amor! Meu coração vibrava por estar entre os sobreviventes.
Por amor, nossa equipe permaneceu firme o tempo todo! Sofri com uma intoxicação alimentar que me deixou vários dias com diarréia. O fato de não ter água disponível em abundância, tornava tudo extremamente pior. Pra tornar o quadro inesquecível, eu não era a única nessa situação...só o banheiro sem água era o único!
Tive um acidente com uma janela de vidro que inexplicavemente caiu sobre mim. Felipe teve febre delirante nos deixando apavorados. Joelma sofreu um aborto espontâneo. Maria saiu ás pressas de Bagdá ao saber que sua mãe estava morrendo...
Dia á dia éramos minados pelas circunstâncias!
O medo também tentava nos intimidar.
Na primeira rajada de balas todos se jogaram no chão...Na explosão de uma bomba e na mira de muitos atiradores gritamos aterrorizados.
Estávamos vivendo uma loucura de amor...
Hoje sei que as coisas ruins fazem parte da história, mas de forma alguma são as mais importantes.
Importante é lembrar das crianças amparadas, dos amigos conquistados e das sementes semeadas.
A verdadeira história que escrevemos naquela nação foi uma história de amor...as lembranças que povoam nossa mente são lembranças de amor...o que nos impulsiona a continuar nesse caminho é unicamente o amor!

Escrito por Nurah às 11h10
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