NINGUÉM SE IMPORTA
Ela estava com o rosto coberto pelo véu. Parecia não ter expressão alguma.
Todas as emoções escondidas, toda esperança sufocada.
Anseios e desejos trancafiados em algum compartimento de sua alma.
Ela era apenas uma mulher. Não importava qual era o seu nome,
suas convicções nunca foram consideradas.
Não havia registro de sua vida. Se houve algum desejo dentro dela, ninguém soube.
Se amou, não pode expressar, se sonhou, não teve com quem compartilhar.
Mas mesmo assim ela caminhava. Seus passos marcavam a areia do deserto.
Não havia rumo nem direção. Ninguém se importava com aquele rosto coberto pelo véu.
Mas ela sonhava em alcançar o horizonte.
A luz que incessantemente ela via brilhar chamava por ela.
O sol que brilhava sobre todas as pessoas era para ela um companheiro que a atraía para si.
Quanto mais caminhava, mais distante ficava a oportunidade de chegar ao lugar que almejava.
Aos poucos aquela luz ia partindo, e na escuridão ela entendeu que o horizonte desejável era inalcançável.
Ele continuava sozinha... Ninguém se importava...Ninguém se importa!
