Escrito por beduína às 00h09
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Eu sou uma mulher de atitudes.
O que eu decido está decidido, até que eu volte atrás.
Por esses dias decidi não mais chorar.
Sabe aquelas mulheres que ganham o concurso de beleza da cidade interiorana de 5 mil habitantes, e choram emocionadas quando vão pedir o fim da fome e a paz mundial? É ridículo, não?
Pois eu me senti assim. Só me faltavam a coroa e a faixa de cetim com escritas douradas “Miss City”
Uma vontade de chorar tão grande! Uma procura incessante por uma desculpa plausível pra derramar de vez tudo que estava aqui dentro...
Então chorei porque meu tanque entupiu, porque minha mãe não pôde me atender por estar na inauguração de um supermercado, e chorei num filminho de amor da sessão da tarde.
Se minha mãe estivesse aqui diria: deixa pra chorar quando eu morrer!
Por isso, fiquei sem piscar, pensei em coisas bem alegres e fui segurando meu choro.
Passei uns dias assim, e mesmo quando sentia que estava sufocando, segurei firme.
Estava na Igreja, de joelhos dobrados e ouvi um soluço seco.
Era um gemido misturado com um grito sufocado de quem não podia chorar.
Minhas lágrimas começaram a descer e eu já não podia e nem queria segurá-las.
Meu amigo que depois de um acidente ficou parcialmente cego e teve os canais lacrimais afetados estava ali bem perto de mim num misto de aflição e angústia tentando aliviar seu coração sem contudo achar a porta de saída. Nunca mais ele teve lágrimas.
Chorei.
Chorei com todas as minhas forças até não poder mais.
Chorei em casa vendo um filme bobo, chorei de saudade, de alegria e de emoção. Chorei com motivo e sem.
E foi chorando que tomei uma nova decisão: revoguei a anterior e já não me importo mais se meus olhos tornam a marejar.
Há uma porta de escape para o alívio da minha alma e eu sairei por ela quantas vezes precisar, sem culpa e sem pesar.
E até ficar bem velhinha, prometo nunca mais deixar de chorar.
Escrito por beduína às 00h36
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Eu tinha um amigo que ria das minhas piadas...e ele fazia tudo parecer tão divertido, até as coisas mais simples.
Era uma certeza de que ali eu sempre encontraria aquele velho ombro calejado de segurar minha cabeça pesada de problemas.
Eu tinha um amigo pra quem eu podia abrir meu coração e meus segredos.
Contava também meus pecados e ainda assim eu podia ficar.
Éramos cúmplices, parceiros, confidentes...
Depois a gente foi crescendo. Como os galhos de uma velha árvore fomos arcando cada um pra um lado diferente, mas não paramos de crescer.
O vento forte, o calor, a chuva que nunca vinha pra aliviar um pouco...acabou nos tornando fortes pra crescer, cada em busca do seu próprio caminho.
O caminho dele foi mais simples, mais seguro, mais feliz.
Meus galhos, mais sensíveis quase quebraram enquanto faziam as retorcidas no ar. Mais complexos, também seguiram adiante.
Já faz um tempinho...e cada vez estamos mais distantes.
As vezes faz tanta falta aquela piada no meio da crise, aquele sorriso tão falso dizendo que tudo ia ficar bem quando não existia a menor chance disso acontecer...faz falta até o silêncio do outro lado da linha quando já não tínhamos mais nada pra dizer.
Hoje eu tenho saudades, dores e lembranças.
A alegria talvez me encontre um pouco mais adiante. Quem sabe, ela não me surpreende ao dobrar uma esquina!?
Meu coração segue cheio de perdas, mas ainda com a mesma fé de que um dia poderei novamente ter um recomeço.

Escrito por Beduína às 00h05
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